El Niño 'mais quente da história' deve causar temporais acima da média até o fim do verão no RS, dizem meteorologistas

  • 30/09/2026
(Foto: Reprodução)
Com El Niño entre os mais intensos já registrados, RS terá chuva acima da média O Rio Grande do Sul deve registrar chuva acima da média durante a primavera, com possibilidade de temporais, queda de granizo e vendavais. Segundo o meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Murilo Lopes, esse padrão deve permanecer durante o verão. A previsão está relacionada ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico provocado pelo fenômeno El Niño. Conforme o especialista, a temperatura do oceano já está mais de 3°C acima da média histórica para esta época do ano. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A condição coloca o atual El Niño entre os mais intensos já registrados, de acordo com o meteorologista. Em outros anos considerados de "super El Niño", temperaturas semelhantes foram observadas perto do fim do ano. Desta vez, o patamar foi alcançado em setembro. "Essa temperatura deve continuar subindo, confirmando, sim, esse El Niño como o mais quente já registrado na história", afirmou Lopes. O pico de intensidade do aquecimento das águas deve ocorrer entre novembro e dezembro. Os efeitos devem continuar durante o verão, embora a relação mais direta entre o El Niño e o aumento da chuva no Rio Grande do Sul esteja associada à primavera. Segundo Lopes, a perspectiva é de aumento da chuva em outubro. O maior volume de precipitação deve ocorrer entre novembro e janeiro, período em que há maior frequência desses episódios no Sul do país. Até o momento, conforme o meteorologista, os eventos estão espalhados entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Ao longo da primavera e no começo do verão, a chuva deve ficar mais concentrada no território gaúcho. "Infelizmente, a gente pode esperar ainda a manutenção dessa condição mais comum, de ocorrência de temporais, de queda de granizo, vendavais e desses acumulados de chuva que, por vezes, acabam sendo muito intensos", disse o meteorologista. Todo o Rio Grande do Sul está exposto ao risco de tempestades, segundo Lopes. No entanto, a frequência costuma ser maior nas regiões Norte e Oeste. Nas áreas do Leste, a ocorrência é um pouco menor, mas os fenômenos também podem provocar estragos. A Região Central, onde fica Santa Maria, também está sujeita a chuva forte, granizo, vendavais e até tornados. Conforme Lopes, o estado já se encontra naturalmente em uma área favorável à ocorrência de tempestades, e o El Niño amplifica essas condições. Nas chuvas que atingem o estado desde o início desta semana, 136 municípios foram afetados pelo granizo, chuvas intensas, vendavais, deslizamentos, inundações e alagamentos. Ao todo, seis pessoas ficaram feridas entre as mais de 70 mil afetadas. Cerca de 6,3 mil pessoas estão desalojadas, 8.453 casas foram danificadas e 480 destelhadas. Rio Caí ultrapassa cota de inundação e causa alagamentos em São Sebastião do Caí, em julho deste ano Mateus Bruxel/Agência RBS Tornados e ciclones Ao ser questionado se tornados e ciclones extratropicais estão acontecendo com maior frequência, Lopes afirmou que os tornados já foram registrados diversas vezes nas últimas décadas no Rio Grande do Sul, inclusive com forte intensidade. Segundo ele, a popularização dos celulares e o maior acesso à internet facilitaram a documentação desses fenômenos. Por outro lado, o meteorologista afirmou que, especificamente em 2026, há uma frequência maior de tempestades por causa da atuação do El Niño. O fenômeno favorece a passagem mais frequente de sistemas meteorológicos pelo estado e intensifica o transporte de umidade da Região Amazônica, criando condições para episódios de tempo severo. "A ocorrência de tornados depende muito exatamente dessa documentação que hoje em dia é mais facilitada pela tecnologia", afirmou. Apesar da expectativa de mais episódios de chuva, Lopes afirmou que, até o momento, não há previsão de uma situação semelhante à registrada no estado em 2024. Segundo o meteorologista, naquele ano houve uma combinação de fatores que não está presente no cenário atual. Ele ressaltou, porém, que os episódios de chuva podem se repetir e que a população continuará exposta aos riscos provocados pelas tempestades. "Até o momento, a gente não tem esses fatores se somando como aconteceu naquele período de outono. Mas é importante dizer que a gente deve ter uma primavera com chuvas acima da média em todo o Rio Grande do Sul e esse padrão tende a permanecer para o verão", disse. Lopes também destacou que os avisos não devem provocar pânico, mas servir para que as pessoas se preparem e acompanhem os alertas meteorológicos. As temperaturas devem permanecer dentro da média durante a primavera, conforme a previsão apresentada pelo meteorologista. A estação deve ter a variação térmica considerada típica do período, com manhãs mais frias e elevação das temperaturas durante a tarde. Essa alternância deverá ocorrer antes e depois dos períodos de chuva. Após os episódios de precipitação, as temperaturas podem cair, com posterior retorno do calor. O Niño 3.4 é uma das principais faixas do Oceano Pacífico Equatorial usadas para acompanhar a evolução do El Niño. Arte/g1 VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/09/30/el-nino-temporais-acima-da-media-verao-no-rs-dizem-meteorologistas.ghtml


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