Família encontra larvas na boca de paciente internado em UTI no RS

  • 27/02/2026
(Foto: Reprodução)
Família encontra larvas na boca de paciente internado em UTI no RS A família de um paciente internado no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, denunciou a casa de saúde após encontrar larvas na boca do homem durante uma visita à UTI. Reni Farias da Silveira, 68 anos, está internado em estado grave e aguarda transferência para Porto Alegre. A ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil e ao Ministério Público. Segundo as filhas, a situação foi descoberta na segunda-feira (23). "Quando eu vi a boca dele, já vi aquelas larvas. Até subi numa escadinha que tinha ali, olhei bem e abri a boca dele. Estava tomada de larvas", relata Pâmela Medeiros da Silveira. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Reni deu entrada inicialmente em Xangri-Lá no dia 24 de janeiro, com dores, e foi transferido dois dias depois para Capão da Canoa com diagnóstico de compressão medular. A família afirma que o quadro evoluiu com complicações, incluindo um acidente vascular cerebral (AVC) recente e infecção bacteriana. Neste domingo (22), os familiares disseram ter percebido moscas no ambiente da UTI e que o ar-condicionado do leito estava desligado, situação comunicada à equipe de enfermagem. No documento entregue ao hospital, eles questionam por que a limpeza só teria ocorrido no dia seguinte. "É uma UTI. Não deveria ter mosca. Deveria ser o local mais limpo possível", afirma a filha Larissa Medeiros da Silveira. Após encontrar o pai naquela condição, a família buscou assistência jurídica, registrou boletim de ocorrência e formalizou denúncia ao Ministério Público. Eles pedem urgência na transferência para um hospital com estrutura especializada. Em nota, o hospital de Capão da Canoa destaca que "adotou todas as condutas assistenciais necessárias e executou avaliação clínica imediata do paciente". E acrescenta que: "A instituição reforça que mantém protocolos rigorosos de controle de infecção, higiene ambiental e segurança assistencial, e que apura as circunstâncias do episódio para implementar medidas adicionais, se necessário." Leia abaixo na íntegra. Questionada pela reportagem, a Secretaria da Saúde informa que o nome do paciente está no sistema de Gerenciamento de Internações Hospitalares e "aguardando a disponibilização de leito adequado ao seu quadro clínico". A advogada da família, Daiana Soraya da Silva, afirma que o paciente só teria sido incluído no Sistema Estadual de Regulação dias após a internação, mesmo já apresentando quadro grave. Segundo ela, a regulação só ocorreu após pressão da família. Família encontra larvas na boca de paciente internado em UTI no RS Reprodução/RBS TV e arquivo pessoal O que diz o governo do estado "A Secretaria da Saúde informa que o paciente Reni Farias da Silveira encontra-se internado no Hospital Luzia, onde recebe toda a assistência necessária por parte da equipe médica e multiprofissional. O caso está devidamente inserido no sistema de Gerenciamento de Internações Hospitalares e segue em processo de regulação, conforme os protocolos vigentes, aguardando a disponibilização de leito adequado ao seu quadro clínico. Ressaltamos que o paciente apresenta bactéria multirresistente, o que exige a necessidade de leito com condições específicas de isolamento, garantindo segurança assistencial tanto ao paciente quanto aos demais internados. A Secretaria da Saúde permanece acompanhando o caso de forma permanente, atuando para viabilizar, com a maior brevidade possível, a transferência para unidade que atenda às necessidades clínicas apresentadas." O que diz a Prefeitura de Capão da Canoa "A Secretaria Municipal de Saúde de Capão da Canoa tomou conhecimento do caso mencionado. Esclarecemos que o paciente não é residente de Capão da Canoa, e que o hospital citado não integra a rede pública municipal. Ainda assim, diante da gravidade da situação relatada, a Secretaria está em contato com a direção do Hospital Santa Luzia para verificar as condições do paciente e acompanhar as providências adotadas. Também foi realizado contato com a Secretaria Estadual de Saúde, solicitando celeridade na liberação de leito, haja visto a necessidade de transferência. Importante destacar que, embora a Secretaria Municipal exerça função de fiscalização contratual e acompanhamento dos serviços prestados, não possui ingerência direta sobre fluxos internos, condutas médicas ou protocolos assistenciais adotados pela instituição hospitalar. Permanecemos acompanhando o caso e à disposição para prestar esclarecimentos institucionais." O que diz o Hospital Santa Luzia "O Hospital Santa Luzia informa que tomou conhecimento de um relato envolvendo um paciente internado e que, imediatamente após a ciência, tomou todas as medidas para apurar o ocorrido. Além disso, adotou todas as condutas assistenciais necessárias e executou avaliação clínica imediata do paciente. Destaca-se que, para os aspectos relatados, foram implementadas soluções de forma também imediata. As medidas adotadas foram suficientes para o ocorrido, não interferindo no quadro clínico assistido no hospital. A instituição reforça que mantém protocolos rigorosos de controle de infecção, higiene ambiental e segurança assistencial, e que apura as circunstâncias do episódio para implementar medidas adicionais, se necessário. O hospital está prestando suporte integral à família, mantendo diálogo aberto e oferecendo todos os esclarecimentos. Reiteramos nosso compromisso com a segurança, a ética e a qualidade da assistência prestada. Capão da Canoa, 27 de fevereiro Direção do Hospital Santa Luzia" O que diz o Ministério Público "O Ministério Público em Capão da Canoa recebeu representação da família do paciente relatando a situação. A Promotoria de Justiça já adotou providências no âmbito da tutela individual do caso. Paralelamente, será instaurada investigação de natureza coletiva para apurar possíveis irregularidades estruturais, condições de insalubridade e falhas no atendimento prestado não apenas a esse paciente, mas a outros internados na instituição. A situação retratada em vídeo e fotografias, que mostram o paciente em condição degradante, com presença de larvas na cavidade bucal, é absolutamente inadmissível em qualquer contexto, especialmente dentro de um ambiente hospitalar destinado à proteção e cuidado de pessoas vulneráveis. Também foi expedido ofício à 18ª Coordenadoria Regional de Saúde, em Osório, órgão responsável pela fiscalização e pela autorização de funcionamento das unidades hospitalares, solicitando vistoria imediata no local e a adoção das medidas administrativas pertinentes. Como há notícia de possível negligência médica, o caso também foi encaminhado para apuração específica dessas condutas. A investigação do Ministério Público buscará identificar onde ocorreu a falha que permitiu que um paciente internado chegasse a tal estado. Serão analisados aspectos como eventual falta de profissionais, rotinas hospitalares inadequadas, ausência de protocolos mínimos de cuidado, falhas de gestão ou insuficiência de qualificação técnica das equipes. O objetivo é verificar quais padrões sanitários e de atendimento não foram observados e determinar as responsabilidades, garantindo a correção das falhas e a proteção não apenas desse paciente, mas de todos os demais atendidos na instituição. Assim que os resultados das averiguações forem encaminhados pelos órgãos competentes, o Ministério Público adotará as medidas necessárias em relação ao hospital e aos responsáveis pelas irregularidades identificadas." VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/02/27/familia-encontra-larvas-na-boca-de-paciente-internado-em-uti-no-rs.ghtml


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