Leite muda o tom após decisão do PSD sobre Caiado concorrer à Presidência: 'Tem todas as condições para governar o país'
09/04/2026
(Foto: Reprodução) Leite e Caiado se encontram pela primeira vez após decisão do PSD sobre Presidência
Aconteceu no Rio Grande do Sul o primeiro encontro de Eduardo Leite e Ronaldo Caiado após a disputa interna que resultou na indicação do agora ex-governador de Goiás para ser o candidato à Presidência do PSD. Após conversa privada, ambos falaram que têm convergências para um projeto nacional, mas destacaram também suas diferenças.
"Temos muito mais pontos de convergência do que diferenças. A política é justamente um instrumento da democracia para que pessoas possam conversar e construir a partir das suas diferenças e convergências um caminho comum. Caiado tem todas as condições para governar o país", declarou Leite.
"Recebi a carta do governador Eduardo Leite, conversamos bastante. Posso garantir a vocês que prevaleceram os pontos de concórdia", disse Caiado.
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Apesar dos mútuos elogios, os correligionários mostram divergências mesmo após sacramenta a escolha do candidato.
"Temos uma grande divergência de visão de estado brasileiro em relação ao PT. Isso está muito claro. E também apontando diferenças que tenhamos, como é o caso da anistia", afirmou Leite.
Em seu primeiro discurso oficial como o pré-candidato do PSD ao Palácio do Planalto, Caiado apresentou um conjunto de diretrizes que pretende adotar caso seja eleito, destacando anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Anteriormente nesta quinta-feira (9), falou ainda sobre dividir palanque com o PT em alguns estados.
"Na Bahia, o PSD vai caminhar com o PT. Lá, eu estarei no palanque do ACM Neto (União Brasil)", afirmou Caiado.
Leite entregou a Caiado uma carta (leia a íntegra abaixo) com pontos que considera importante, destacando sua preocupação em relação à anistia aos presos e condenados do 8 de Janeiro. "Não me parece que a pacificação nacional será alcançada com a inauguração de um governo tendo como um de seus primeiros atos a concessão de anistia ampla aos envolvidos nesses episódios", diz o texto.
Leite e Caiado se reuniram na Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre, após um imprevisto. O gaúcho deveria receber o goiano na sede do governo estadual, o Palácio Piratini, às 10h30. A agenda não aconteceu devido a uma pane geral no controle de tráfego aéreo na região de São Paulo que deixou Leite por horas dentro de um avião em Congonhas (SP) sem poder decolar.
O encontro ocorre após um processo de decisão interna no PSD que foi marcado por uma disputa entre ambos, após a desistência do governador paranaense Ratinho Júnior, que até então detinha a preferência do dirigente Gilberto Kassab.
A mudança de tom de Leite ocorre após o desfecho da disputa interna no PSD. Se, no momento da escolha, o gaúcho verbalizou frustração ao afirmar estar "desencantado" com a opção do partido por Ronaldo Caiado, o encontro no Rio Grande do Sul marca reposicionamento. Superada a fase da competição, Leite adota agora discurso institucional e conciliador, reconhecendo convergências e ressaltando a legitimidade do escolhido.
Qual será o papel de Eduardo Leite nas eleições?
Segundo o pré-candidato, o processo decisório do PSD não deixa atritos internos no partido: "de maneira nenhuma".
Antes do encontro, Caiado rasgou elogios a Leite: "Sem dúvidas o Eduardo Leite é uma referência de boa gestão. Homens como o Eduardo Leite têm que estar comigo numa gestão de Brasil. Vou não só me colocar à disposição dele para uma campanha eleitoral no RS, mas ao mesmo tempo discutir com ele ideias, já que ele esteve nessa mesma psicose minha e tem suas propostas".
Confira a íntegra da carta entregue por Leite a Caiado:
Carta ao pré-candidato à Presidência pelo PSD
"A política, na sua melhor expressão, não é o espaço da uniformidade. Ela é o espaço da construção de convergências entre diferentes.
Nós não precisamos pensar igual para caminhar juntos. Mas precisamos ter clareza sobre o que nos une, sobre os valores e compromissos que sustentam essa caminhada.
Tenho respeito pela trajetória do governador Ronaldo Caiado, pela sua experiência e pela sua disposição de liderar um projeto nacional. E é justamente por reconhecer a importância desse momento para o Brasil que acredito que alguns pontos merecem destacada atenção, especialmente para aqueles que, como eu, se identificam com um campo mais ao centro, equilibrado e comprometido com responsabilidade.
O Brasil precisa, mais do que nunca, superar a lógica da polarização radicalizada. Precisa de um projeto que não se defina por oposição a este ou àquele nome, mas que se afirme por uma visão própria de país. Uma visão que una responsabilidade fiscal com sensibilidade social, firmeza institucional com capacidade de diálogo.
É importante que qualquer candidatura que pretenda representar esse espaço deixe claro seu compromisso com:
• o respeito às instituições e à democracia, sem ambiguidades;
• a responsabilidade na condução das contas públicas, com coragem para enfrentar reformas necessárias;
• a compreensão de que, em um país com enorme desigualdade social, é urgente se colocar o Estado como promotor da igualdade de oportunidades, com políticas sociais efetivas na promoção das pessoas;
• a construção de governabilidade com integridade, sem atalhos que comprometam o futuro;
• E, sobretudo, a disposição de dialogar com diferentes, sem alimentar conflitos que o Brasil já cansou de viver.
Também é essencial que haja gestos concretos nessa direção. Gestos que sinalizem abertura, moderação, capacidade de agregar, seja na formação de equipes, no discurso ou na forma de fazer política.
E, nesse espírito de franqueza respeitosa, embora deseje focar nas nossas tantas convergências, eu não posso deixar de mencionar um ponto em que penso diferente.
Compreendo que há, por parte do governador Caiado, a verdadeira intenção de buscar a pacificação do país ao tratar da questão envolvendo os atos de 8 de janeiro. Esse é um objetivo que todos nós devemos compartilhar.
Mas, sinceramente, não me parece que a pacificação nacional será alcançada com a inauguração de um governo tendo como um de seus primeiros atos a concessão de anistia ampla aos envolvidos nesses episódios. Uma medida dessa natureza, logo no início, tende a interromper o diálogo com uma parcela significativa da população, que não se sente representada por esse caminho. Isso não significa fechar os olhos para a necessidade de equilíbrio e justiça.
Eventuais excessos podem e devem ser debatidos. E há caminhos institucionais mais adequados para isso, como o aperfeiçoamento da dosimetria das penas, algo que já vem sendo analisado no Congresso Nacional.
Ou seja, é possível buscar justiça com equilíbrio, sem abrir mão da responsabilidade institucional e sem comprometer a construção de um ambiente de diálogo mais amplo.
Eu acredito que o Brasil precisa de uma alternativa que represente equilíbrio, serenidade e responsabilidade. E acredito, sinceramente, que é possível construir essa alternativa — desde que haja disposição verdadeira para ampliar, para ouvir e para integrar.
Se esses caminhos forem trilhados com clareza e consistência, será natural que muitos de nós possamos nos sentir representados e, a partir disso, engajados em um projeto comum para o país.
Porque é disso que se trata: não de impor visões, mas de construir um caminho compartilhado para o Brasil avançar.
Porto Alegre, 9 de abril de 2026
Eduardo Leite
Governador do Rio Grande do Sul”
Ronaldo Caiado e Eduardo Leite
Vitor Rosa/ Palácio Piratini
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